4 de setembro de 2015

RESENHA | O Projeto Rosie - Graeme Simsion


Galera Record, 316 páginas
O que me faz gostar de algo que li?

Que elemento faz com que eu saia falando sobre determinado livro para todo e qualquer ser vivo que eu encontre, e ocasionalmente objetos inanimados incluindo travesseiros, copos e garrafas de água?

O que faz com que você goste de um livro que quase mais ninguém gostou? Ou vice-versa?

Meus questionamentos giram em torno dessas perguntas, todas as vezes que sento para fazer uma resenha. Mas o que isso tem a ver com O Projeto Rosie? 
Tem a ver que são problemas simples perto dos que Don Tilman, o renomado geneticista protagonista da história, enfrenta.

Don tem dificuldades para o convívio social, e tendo em vista que ele acredita que já é hora de ter uma esposa, o processo se mostra complicado. Para facilitar a procura e escolha, ele produz um questionário destinado a servir de guia para entrevistas com candidatas a esposa.


E aqui já abro um parêntese: eu que tive problemas de interpretação, e sim, o personagem tem Síndrome de Asperger ou realmente não fica claro?

A rotina de Don é meticulosamente planejada, suas refeições, as atividades rotineiras e tudo mais que fizer parte do dia a dia de alguém como Don. 
Tudo é pensado para proporcionar um máximo aproveitamento do seu tempo. E encontrar o perfeito espécime feminino que se encaixe na sua rotina perfeita vai se mostrar uma tarefa bem mais complexa do que ele previa.


Quando ele conhece Rosie pensa ser uma candidata enviada pelo seu melhor amigo e professor de Psicologia, Gene. Devido a algumas características que não estão de acordo com o Projeto Esposa, Rosie é considerada altamente inapropriada. Ainda que toda essa seleção tenha se passado exclusivamente na cabeça de Don, é claro.

Após essa seleção, nada impede que os dois se tornem amigos e que ele auxilie Rosie no seu objetivo, que foi o motivo real que a levou a procurar Don.

O enredo em 3ª pessoa é bem escrito, e os diálogos se constituem no diferencial da história, sendo bastante próximos a conversas reais, não romantizadas. O texto alterno entre momentos engraçados e trechos mais sérios e conta com personagens bem construídos, ainda que o foco nunca deixe de ser Don, Rosie e seus projetos.

Porém, a impressão que tive ao final da leitura é que o texto foi construído dentro de uma caixinha, seguindo regras e um planejamento rígido. Qualquer intenção que fugisse das linhas da caixa foi aparada, lixada, adequada ao plano. E isso fez com que o enredo ficasse estilo Conto de Fadas da Disney, sem espaço para grandes surpresas ou momentos de perder o fôlego.


Em resumo, devido à perfeição milimétrica, o texto ficou previsível e monótono.

A princípio o espírito livre de Rosie deveria trazer um frescor ao estilo quadrado de Don, contudo as mudanças observadas em Don ao invés de indicar um equilíbrio entre as duas personalidades acabaram soando forçadas. Se a dificuldade dele de interação social era tão grande bastaria amor para apagar grande parte das limitações? Don não muda da água para o vinho, mas a impressão que eu tive é que ele estava usando um óculos cor-de-rosa que “curava” algumas de suas características “problemáticas”.


Sem dúvida é um romance fofo, bem escrito e que tem um desenvolvimento esperado, mas que carece daquela certeza de que está acontecendo em algum lugar do mundo, ou que já aconteceu em algum momento do passado.

Às vezes lemos livros de fantasia que deixam a forte sensação de que todo aquele mundo existe, ainda que não possamos ver. Que ao terminar deixam a certeza de que a magia está ali e permanece ao nosso redor. E é esse diferencial que falta em "O Projeto Rosie".


Agora me conta: fui muito crítica? Será que me ative tanto a um detalhe que perdi algo? Deixa aqui nos comentários se eu tô ~locona~ ou se realmente o livro deixa a desejar.
Beijocas!

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