5 de abril de 2012

RESENHA | O Conde de Monte Cristo - vol I - Alexandre Dumas


626 páginas, Martin Claret
Exemplar de Parceria
 
  Uma ‘conspiração’ motivada pela inveja e sede de poder acaba por trancafiar em uma fortaleza/prisão o inocente Edmond Dantès, que passa anos recluso sem ao menos saber qual foi o seu “crime”.

"Só tinha um curto passado, um triste presente, e um futuro incerto; dezenove anos de luz a meditar numa noite talvez eterna!
Nenhuma distração o podia auxiliar; o seu espírito enérgico, e que tão pronto teria tomado vôo através dos séculos, era obrigado a estar preso como a águia dentro de uma gaiola."

   Durante esse tempo a escuridão é a sua única compania. Até que ele faz amizade com outro preso, e a partir das conversas com ele acaba por desvendar os fatos da sua vida que o fizeram chegar até a detestável situação em que se encontra. Será que alguém pode encontrar forças na vingança? Até onde um homem vai guiado por esse sentimento?

  Essa é a premissa do livro O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas, volume I, em publicação pela Editora Martin Claret. Um emaranhado de situações, sentimentos e acontecimentos é exposto. Vidas que se tornam interligadas em função de um título: Conde de Monte Cristo.

   Agora ele escapou da prisão, tem dinheiro, um novo rosto e uma ótima memória. E acima de tudo, ele quer vingança. Sua missão?
 
  Mover-se cuidadosamente por entre aqueles que roubaram sua maior preciosidade: a liberdade para realizar seus sonhos. Sua determinação é tão abundante quanto sua fortuna, portanto sua missão somente estará completa quando aqueles que o traíram estiverem destruídos.
 
  O clássico escrito entre 1844 - 1846 por Alexandre Dumas (pai) é um livro que desperta reações conflitantes. Antes de tudo é importante ressaltar a habilidade que Dumas tem para criar personagens. Cada um é tão bem construído e dotado de veracidade, e têm personalidades tão distintas que te convencem. Todos são úteis e servem para algum propósito, mesmo que você não entenda onde este ou aquele se encaixa, mais para frente você entenderá.

  Uma das características que diferenciam a narrativa em 3ª pessoa é que o narrador, em alguns momentos, se comunica com o leitor, característica essa que a mim não agradou.

" O leitor vai acompanhar-nos ao longo da única rua desta aldeia (...)" - Página 28.

  Achei um tanto quanto incômodo que as citações em latim que aparecem no livro não estão acompanhadas de notas do tradutor com as respectivas traduções. Não encontrei erros de grafia/tradução e se pudesse sugerir algo, creio que seria com relação à definição da imagem da capa que poderia ser melhorada.

   Sei que ela tem esse efeito de homem sombrio, que foi no que virou Dantès. Seu coração puro e sua personalidade foram perdendo o brilho e ele se tornou um homem quase sem humanidade. Ele deseja a ruína daqueles que o prejudicaram e isso impregnou sua alma de escuridão. Mas ainda assim acho que a resolução da imagem poderia ser melhorada.

   A obra em si não é histórica, mas tem passagens entre o fim dos 100 dias de poder de Napoleão Bonaparte, e algo sobre a batalha de Waterloo, além de mencionar outras passagens da história francesa. Mas Dumas não peca por querer descrever os fatos minuciosamente.

   O enredo é simples, porém a escrita muitas vezes torna-se cansativa e há no texto algumas palavras que você precisa ler quase um capítulo de história para entender o significado. E observei que a leitura tornava-se cansativa sempre que o foco era desviado do Conde e seus propósitos, passando a contar sobre as vidas de outros personagens. Mas em todo o momento que o foco era Dantès o texto parece ganhar uma nova vida tornando-se ágil e interessante.

   Um dos pontos chaves do livro é a transformação que Edmond sofre no momento que decide fugir da prisão e começar uma nova vida. Assim o Conde de Monte Cristo, apesar de aparentar ser um homem muito sóbrio e excêntrico acaba por conquistar as amizades certas, e sua mente está sempre um passo a frente da situação, fazendo com que tudo esteja a favor dos seus interesses.
 
  No todo é uma leitura recomendada, principalmente se você quer acompanhar um autor de sucesso que transformou sua obra em um clássico apenas retratando as relações humanas e a que ponto alguém é capaz de chegar movido por um sentimento nada nobre como a vingança. Se ela compensou ou não, só há como descobrir lendo a continuação no volume II que carrega o mesmo nome.
 
E aí, quem já leu O Conde de Monte Cristo, gostou ou jogou pela janela? Aproveita e me conta junto no comentário o que tu achou da resenha :D

5 comentários:

  1. Já me falaram muito desse livro, e confesso que até tenho vontade de ler, mas não é aquela leitura desesperadora que me faz largar tudo e passar ele na frente. Então já viu né, o pobrezinho está lá no fim da lista de compras ;P

    Mas eu acho interessante sim, e um dia eu leio! xD

    Beijitos
    http://www.bookpetit.com

    ResponderExcluir
  2. Eu tenho o livro na minha lista de desejados por causa do filme, que eu assisti e amei.
    Acho que seria muito mais interessante ler, mesmo vendo que há algumas características na narrativca que não me agradam.
    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Eu li a reli esse livro! É maravilhoso! Que bela criação! Alexandre Dumas é magnífico!

    ResponderExcluir
  4. A MArtin Claret me deu para resenha também. Gostei da sua resenha de mais.

    ResponderExcluir
  5. Tenho muita vontade de ler esse livro, principalmente depois de ter assistido ao filme..

    ResponderExcluir

Sua opinião alimenta minha criatividade, então você pode contribuir para um blog melhor simplesmente comentando :D Para dúvidas, sugestões ou bater um papo, mande e-mail para agarotadalivraria@gmail.com