8 de março de 2012

RESENHA | Tudo pode mudar – Jonathan Tropper


281 páginas, Arqueiro
Exemplar de Parceria


Aos 32 anos, Zachary King é um homem que parece ter a sorte a seu favor. Possui um emprego estável, divide um apartamento luxuoso com um amigo milionário e está noivo de Hope, uma jovem inteligente, sensual e muito acima de seu nível social.

Mas tudo começa a mudar quando ele encontra sangue em sua urina. Preocupado, procura imediatamente um médico, que o aconselha a investigar a causa do sangramento. Obcecado pela ideia de que se trata de um câncer, Zack começa a refletir sobre sua vida e as escolhas que fez até então. Nada parece satisfazê-lo de verdade. Seu trabalho é estressante demais e ele não tem certeza se ama Hope da forma como deveria.

À medida que o casamento se aproxima, Zack é assombrado pela lembrança de Rael, seu melhor amigo, morto em um acidente dois anos antes, e por seus sentimentos cada vez mais complicados por Tamara, a bela viúva de Rael.

Como se tudo isso não fosse ruim o bastante, seu pai, um homem inconsequente e viciado em Viagra, reaparece após 20 anos de ausência tentando reparar os erros do passado.

Estava preparada para um dramalhão mexicano. Fui presenteada com um romance turbulento e ao mesmo tempo incrível, um drama de família intenso, um personagem principal cheio de angústias, dúvidas e medos, mas que ao mesmo tempo foi capaz de ousar.

Um enredo bem amarrado, que conquista pela forma como é apresentado e completamente vicioso. O autor que sabe como ninguém abordar assuntos complexos e dolorosos sem imprimir a isso um drama maior do que o necessário, fazendo de Tudo Pode Mudar um livro despretensioso que te seduz e faz com que você não parar de ler antes de saber qual será o final. E, diga-se de passagem, que final emocionante.

Zachary King tem dois irmãos: Matt, um rockeiro meio surtado, e Pete, o irmão que possui deficiência mental, mas que sabe como ninguém demonstrar suas emoções. O pai de Zack, Norm, é um daqueles homens que não nasceram para encarar a paternidade. E ser abandonado por ele deixou profundas marcas tanto nos irmãos quanto em Lela, a mãe dos garotos.

Zack aparentemente tem uma vida estruturada e com grande possibilidade de crescimento, principalmente profissional, basta fechar o contrato com uma grande marca esportiva. Aparentemente sim, mas a realidade é bem diferente. Ele mora de favor na casa de um amigo. Seu emprego é estressante, e mesmo que sua noiva seja perfeita ele não a ama. E ainda por cima ele não consegue apagar de sua mente os sentimentos que ele nutre por Tamara, a viúva do seu melhor amigo que morreu no acidente de carro que Zack sobreviveu.

Quando nota algo diferente e começa a suspeitar que está com um doença grave Zack chega a conclusão que sua vida não é nem de perto algo da qual ele pode se orgulhar, ele simplesmente se deixou levar pelos caminhos que apareceram, seus sonhos e objetivos não foram levados em conta. A linguagem que o autor utiliza proporciona uma proximidade incrível com os pensamentos do personagem principal e mesmo preferindo narrativas em 3ª pessoa me rendi até mesmo a ironia não muito elegante que Zack tem.

“Jamais, em nenhuma circunstância, você quer ouvir seu médico dizer ‘hum.’ ‘Hum’ deve ser o jargão médico para ‘Puta que pariu’.” – Capítulo 5, página 37.

Nesse momento ele se questiona se realmente está certo em trabalhar com algo que não gosta e casar com uma mulher que não ama e viver uma vida que no final não tenha significado nada para ele.

Um enredo simples que tem o dom de encantar. Um personagem que mostra que homens também passam por fases difíceis na vida, e é nesse turbilhão de emoções que Zack luta para se encontrar, para ser alguém melhor e dar todo o amor que possa encontrar dentro de si para o mais novo integrante da família, o pequeno Henry, além de finalmente criar coragem para assumir seus sentimentos verdadeiros e formar sua própria família.

A Arqueiro, como sempre, está de parabéns pela diagramação do livro e pela revisão que está perfeita e sem erros. A capa, apesar de não ser muito impactante traduz bem o espírito da narrativa: simples, clara e em sincronia com o título.

Sei que para alguém que leu essa resenha as coisas ainda continuam um pouco confusas, mas tomei o cuidado de não deixar escapar nenhuma informação que pudesse quebrar o brilho da leitura do livro. Apenas digo a vocês: leiam. Não vão se arrepender. Livro incrível, narração incrível e um desfecho que vai deixar você suspirando com uma leve impressão de que a vida, ainda que imprevisível, sempre se dobra aos desejos do nosso coração.

Não esperava grandes surpresas do livro de Jonathan Tropper, imaginei que seria uma leitura talvez até monótona. Enganei-me profundamente e a leitura está bem recomendada!



Um comentário:

  1. Olá Lola,
    Logo quando vi a capa desse livro já me chamou a atenção, mesmo que seja simples, eu não conseguia imaginar como seria a história.
    Mas com sua resenha já entendi perfeitamente como é um pouco dessa história e tenho que confessa que fiquei bastante curiosa.
    Vou colocar em minha lista
    Adorei sua resenha, parabéns.

    Beijo
    http://marifriend.blogspot.com/
    @Storieandadvic

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