21 de fevereiro de 2012

RESENHA | Ahmnat – Os Amores da Morte, Julien de Lucca



Gutenberg, 366 páginas.

O que pode acontecer quando Morte e Destino brincam com o sentimento mais perigoso? Ahmnat é uma garota egípcia que, após uma vida cheia de turbulências, tristezas e mágoas, assume o cargo de Morte e passa a viver entre este mundo e o além-vida. Porém ela não está sozinha. Logo conhece Destino, responsável por escrever as vidas mortais, que fica surpreso e abismado ao vê-la no lugar de poderosa entidade.  Sendo assim ele pensa em uma maneira de provar a fragilidade de Ahmnat propondo a ela um jogo. E as consequências para quem perder são no mínimo... interessantes.


Uma jogada de mestre.

Começo assim a complicada missão que é colocar em palavras a perfeição de detalhes bem amarrados que Julien de Lucca usou para criar a história de Ahmnat, uma garota egípcia que não conhece amor senão o que sente pela mãe. Após uma vida curta e sofrida ela é designada para se tornar a Morte. Em pessoa. (?)

Julien tem uma escrita segura, experiente, que passa ao leitor veracidade nos fatos que ele narra. Um enredo original, criativo, completamente denso e carregado de emoções, contudo, que não deixa de ser interessante ao longo das páginas.

Ahmnat estava em perigo quando um ser que com certeza não era humano apareceu. Sua vida a partir desse encontro jamais seria ‘normal’. Nos últimos suspiros de uma morte trágica ela faz um pedido. E é aí que ela é transformada na senhora dos mortos. Ahmnat agora era uma das mais poderosas entidades e já deveria saber que isso não seria tão fácil quanto parecia.

Após estar integrada em seu cargo ela depara-se com a visita de Destino, o responsável por escrever o rumo da vida dos mortais. Junto dessa visita vem uma proposta. Destino se dispõe a criar 10 vidas mortais com características bem especiais e se Ahmnat se apaixonar por algum deles terá que desistir de seu posto e voltar a ser humana proporcionando a Destino a chance de reescrever a história dela. Caso contrário Destino se tornará mortal e Morte poderá buscá-lo pessoalmente.
Durante incontáveis séculos Ahmnat aprende a usar e aperfeiçoar seus poderes enquanto desfruta de passeios por inúmeros lugares da Terra, acompanhando a evolução dos humanos.
Ela também recebe a visita de outras entidades, aprendendo com elas algumas lições. Dentre os visitantes também está o Filho da Aurora, ou mundialmente conhecido por Lúcifer.
Neste ponto da narrativa Julien aborda conceitos sobre céu e inferno por um ângulo diferente do qual estamos acostumados. Confesso a vocês que fiquei surpresa. Mas foi pelo lado bom! Não pense porém que Julien dá uma de Todo Poderoso e quer modificar as crenças que existem, nada disso. Este não é um livro sobre religião e nem está preocupado em achar um lado certo e um lado errado. Mas é interessante ser apresentado a possibilidades diferentes das quais somos doutrinados desde pequenos.
O livro tem uma narração em grande parte na 1ª pessoa, apenas nos momentos em que Ahmnat nos deixa crer que está narrando a sua história a uma pessoa que está junto com ela é que passa a ser em 3ª pessoa.
Quanto a erros de digitação, encontrei apenas um, mas nada que tire o brilho da leitura. Os capítulos são grandes, então em boa parte deles você tem que parar para tomar um fôlego.

Eu poderia apontar diversos pontos/personagens positivos da história. Mas aí estaria contando muito e tirando a graça do livro, que é justamente ser surpreendente e inesperado.
Um ponto que achei super interessante e bem aplicado foram os fatos históricos que Julien inseriu no livro, e serviram como um bom pano de fundo para as experiências de Ahmnat.
Porém a surpresa maior ficou por parte dos amores da morte mesmo. Vocês repararam na palavra mortal? É. Vocês vão se surpreender com a capacidade de se encantar por mortais que Ahmant possui. E sabe como é, mortal não significa homem, não é?
Enredo irresistível, conhecimento por parte do autor dos fatos que aborda e um trabalho gráfico incrível por parte da Editora Gutenberg, fazem de Ahmnat – Os Amores da Morte um dos livros mais belos e bem escritos que já li. Por isso nem vou comentar muito sobre o final que me deixou boquiaberta e em surto pelo segundo volume intitulado “Ahmnat, A Mãe de Todos os Pecados”.
A única sugestão que eu daria fica a cargo da gramatura das páginas que se possível poderia ser diminuída a fim de deixar o livro mais leve.

Agora me façam surtar de felicidade e comentem ok? Preciso, necessito, das palavras de vocês para saber se a resenha ficou boa, se vocês se interessam pelo livro e se já leram. Beijinhos ! 
/bye


18 de fevereiro de 2012

RESENHA | Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos + Surpresa


617 páginas, Dracaena
Exemplar de Parceria

14 de fevereiro de 2012

RESENHA | Um Sonho a Mais – Nanda Meireles




Fabiana Andrade é uma jovem estudante de 17 anos com um único objetivo, passar no vestibular. Criada pela mãe costureira e abandonada pelo pai ainda muito pequena sentiu na pele as dificuldades de uma vida sem planejamento. Determinada, tem um sonho: fazer uma boa faculdade, abrir sua própria rede nacional de papelarias e dar a sua batalhadora mãe um bom descanso e uma digna recompensa por todo amor e cuidados dados a sua única filha. Um relacionamento era tudo o que ela não precisava, mas o destino lhe prega uma peça. Um antigo e apaixonado amigo é forçado a deixá-la. Uma nova e forte amizade se inicia. E um inesperado e arrebatador amor a encontra. Muita coisa acontece antes de Fabi entender a força e veracidade daquele amor. Confusões, intrigas, ciúmes, surpresas e decepções fazem de “Um sonho a mais” uma leitura divertida e viciante. 

  Será que um livro pode fazer você recordar com saudade do passado? Proporcionar vontade de viver intensamente o presente? Fazer com que você pense em como quer que seu futuro seja? Um Sonho a Mais, da autora nacional Nanda Meireles fará isso com você. Ele é garantia de uma leitura que emociona, alegra, e faz você arrepiar. Porque nem todo mundo é como a gente pensa, mas nem por isso podemos deixar de conhecer de verdade aqueles que nos rodeiam.

  Neste enredo que toca seu coração a ponto de fazê-lo sentir-se apertado como uma noz ou então tão feliz a ponto de estourar como se fosse um balão colorido, conhecemos a vida da jovem Fabiana Andrade, ou simplesmente Fabi, que acaba de começar o último ano do ensino médio e só tem cabeça para pensar em estudar para o vestibular. E quando escrevo que ela só pensa em vestibular e em estudar, não é exagero. Fabi deixa bem claro que pretende ser bem sucedida e está disposta a sacrificar tudo por esse sonho. 

  Mas será mesmo que o vestibular importa tanto assim? Será que Fabi seguirá determinada depois de conhecer o mais novo estudante do Colégio Estadual Arabella e com esse encontro conhecer sentimentos e sensações que ela jamais imaginou sentir? Duas pessoas com um nível de maturidade diferente, pensamentos diferentes e interesses diferentes podem ficar juntas?

  Fabi ganha amigos verdadeiros, perde outros, sofre com desconfianças e depois acaba percebendo que nesse jogo da vida é preciso muito mais do que apenas promessas para resistir aos obstáculos. 

  Em seu primeiro dia de aula no último ano Fabi conhece Melissa, uma garota de olhos tristes e de gestos tímidos e com ela cria uma bonita amizade. Quando Fabi impede seus colegas de pregarem uma peça em Mel acaba ganhando outro amigo. O irmão da garota nova, Daniel, um irresistível e charmoso rapaz, que acaba por decidir se transferir para o mesmo colégio da irmã a fim de ficar de olho nela. E talvez em Fabi também. 

  Uma das coisas que mais me chamou a atenção nessa narrativa em 1ª pessoa foi que mesmo usando palavras coloquiais no diálogo dos personagens, Nanda não tornou o livro  um amontoado de gírias que diminuem a carga de conteúdo do livro. 

  Outra característica do livro que vale a pena ser mencionada é a forma com que a Nanda insere os conceitos sobre as relações familiares, que muito me agradou. A mãe de Fabi, dona Mara, é para ela uma joia rara. A relação de mãe e filha encanta e mostra que não é impossível ter sua mãe como melhor amiga, basta que você permita essa aproximação. Fabi respeita a mãe e não tem medo de pedir ajuda para ela, e Dona Mara auxilia a filha do jeito que pode, sem querer dirigir a vida dela. O equilíbrio move a vida das duas já que o pai da garota sumiu no mundo.

  É comum a maioria dos jovens acharem que ser amigo de pai e mãe é vergonha e sinônimo de infantilidade. Mas cá para nós, quem no mundo vai te querer tão bem quanto teus pais? Em momento algum o livro entra a fundo nessas questões, então é uma coisa bem leve, mas que não deixa de encantar.

  Um Sonho a Mais trata das dúvidas, dos medos e dos desejos que povoam a mente de adolescentes comuns, que saem de casa para ir a escola, planejam o que fazer no final de semana, choram com decepções e sorriem de orelha a orelha com cada pequena conquista.
 
  O retrato do primeiro amor foi pintado com uma sutileza agradável, sem exageros. O amor aqui é dúvida, é calor, é medo, é insegurança, é um abraço, um beijo, um pedido inesperado...

“Agora estou aqui, desabafando minha dor de cotovelo em algumas folhas de papel, que patético...” Capítulo Extra Um Sonho a Mais

  Nanda acertou na medida quando construiu o personagem Daniel, um rapaz apaixonado, sincero, porém que comete erros, mas ainda assim corre atrás do que quer e aceita conselhos. Nada de galã sem escrúpulos que muda de vida em função da mocinha.
 

  Dane tem personalidade e jamais deixa uma conversa pela metade, ele gosta das coisas as claras e pelo que li dos capítulos extras creio que se houvesse possibilidade a autora tranquilamente poderia inserir a visão dele também no livro, intercalando com a narração da Fabi. Eu amei conhecer mais o Dane.

  Fabiana também comete erros. Mas não há como julgá-la, em seu lugar muitas tomariam as mesmas decisões. Eu confesso que quando estava lendo senti vontade de abraçá-la e dar colo porque a decepção que ela teve foi muito dolorosa. Porém o destino mesmo dando voltas acaba unindo as almas certas.

  Entrando mais na questão do romance, me arrisco a dizer que a representação foi perfeita. Fofo e real, do tipo que se você fechar os olhos pode imaginar cada cena com perfeição.

“— Pequena, você não tem noção do quanto é linda, nunca conheci ninguém assim. Quando aparece na minha frente, não consigo desviar meus olhos do seu rosto perfeito, dos seus olhos e lábios capazes de me hipnotizar. Podia ficar a noite toda só te olhando ou alisando seus cabelos...” Capítulo IV, página 47 no e-book.
 
  Um relacionamento não depende só do esforço individual, ele precisa ser baseado no respeito e na confiança, e igual a uma planta o amor precisa de cuidados e de carinho para se manter vivo. 


Eu tinha certeza de apenas uma coisa...
Se conseguíssemos vencer mais aquela batalha...
A guerra acabaria...
E a vitória seria nossa.”

  E será que a distância influencia mesmo nas relações? A resposta para esta questão fica para ser respondida em Pra Vida Toda, a continuação de Um Sonho a Mais.

   Um enredo bem “palpável” com personagens na medida certa, romance e um final de arrebatar o coração. Leitura mais do que recomendada, recomendadíssima! Um Sonho a Mais me surpreendeu pela ternura e pela veracidade, mal posso esperar para ler a continuação.

  H E Y! O que você achou do enredo? Se curtiu ou não curtiu, comenta aí embaixo e de quebra me conta se a resenha tá de bom tamanho, ou se você prefere ela mais curtinha :D