26 de dezembro de 2011

RESENHA | Razão e Sensibilidade - Jane Austen


298 páginas, Martin Claret 
Exemplar de Parceria


Jane Austen (1775-1817) é considerada uma das mais importantes representantes da literatura inglesa, ao lado de Shakespeare. Passou toda a sua vida no interior de um diminuto círculo social, formado pela aristocracia rural. Tematizando o dia-a-dia das pessoas comuns, com fina ironia e aguda percepção do ser humano inserido na sociedade da época, Austen introduziu o romance inglês na modernidade. Razão e Sensibilidade (1811) é a história de duas irmãs: Elinor e Marianne, respectivamente a racional e a sensível, as quais, em razão do falecimento do pai, têm de se adaptar a um estilo de vida mais modesto, em meio a uma sociedade inteiramente dirigida pelo status social.

Se você procura uma história que retrate a sociedade antiga (a primeira versão é datada entre 1795-1799), seus valores e como funcionavam as relações interpessoais você precisa ler Jane Austen. Se você está em busca de uma leitura densa, cheia de reviravoltas e segredos, e que te prende não por falar sobre vampiros e nem sobre criaturas sobrenaturais, mas por falar do destino de meros humanos, leia Jane Austen. Se você quiser ler um livro de uma escritora diva, rainha dos romances de época, que consegue te fazer ficar remoendo o destino dos personagens por horas a fio, mesmo depois de você já ter acabado de ler o livro, definitivamente, leia já Razão e Sensibilidade.

Razão e Sensibilidade aborda as situações vividas pela Sra. Dashwood e suas três filhas, que após a morte do Sr. Dashwood se veem morando de favor em sua própria casa, que agora pertence ao meio irmãos das garotas, John Dashwood dono de um espírito avaro por natureza ainda conta com uma esposa, Fanny, que tem um verdadeiro espírito de porco .

Sentindo-se na obrigação de encontrar um lugar para chamar de lar novamente, a Sra. Dashwood aceita a proposta de seu primo, Sir John Middleton para que as quatro mudem-se para um chalé de sua propriedade, o Chalé Barton.

A história tem foco principal nas duas irmãs que ainda que muito se amem são como pólos opostos. Ambas eram inteligentes e sensíveis, porém a forma de agir no campo sentimental era o que as diferenciava.

Elinor é conhecida por ser perspicaz e controlada, apesar de levar em seu coração muito amor e dúvidas sabe esconder tudo isso sob uma fachada a qual muitos definem como fria e desapegada. Devo dizer que Elinor tem algumas frases memoráveis.

"Ás vezes somos guiados pelo que dizemos de nós mesmos e com muita frequência pelo que outras pessoas dizem de nós, sem que paremos para refletir e julgar." Página 80 - Capítulo 17.

Marianne era o centro de preocupações da irmã por ser intensa em tudo: ações, sentimentos e principalmente julgamentos, que eram muitas vezes precipitados, fazendo Marianne contrair amargas decepções. Não que Elinor não as tivesse, porém ela procurava ser agradável com aqueles a que a ela queriam bem, mesmo que não fossem o seu objeto de afeição principal.

Jane Austen criou um enredo que atravessou décadas, talvez porque na verdade a sociedade atual ainda se baseia em muitos pilares retrógrados e excludentes, tais como os padrões que ditavam a vida em sociedade na sua época.

Eu tomei a decisão de não fazer spoilers sobre o futuro dos personagens, [se a Jane não escrevesse romances ela deveria escrever ficção porque quase morri de curiosidade do meio para o fim] então para esclarecer melhor sobre qual “a moral” de Razão e Sensibilidade façamos de conta que um de vocês esteja lá no site da Martin Claret, ou em uma livraria e veja o livro à venda. A pergunta que surge é a seguinte:

Mas afinal, sobre o que é esse livro? Porque eu deveria ler um título desses?

Razão e Sensibilidade é um romance não tórrido porém intenso e arrebatador que pretende analisar a melhor forma de viver: se é ser dominada pela razão (agindo como Elinor) ou pelo coração (agindo como Marianne). Se aqueles que vivem sentindo muito mais do que demonstram se saem melhor do que aqueles que demonstram seus sentimentos de início, sem pudor e sem tempo para julgar as ações do outro.

Se são mais felizes aqueles que agem intensamente ou aqueles que deixam a vida resolver tudo e sentem em silêncio.

Ainda assim você não está convencido a comprar e outra pergunta surge:
 

 Mas todos dizem que é uma linguagem difícil, preciso ler com o dicionário do lado?

Definitivamente o dicionário é dispensável. A linguagem não é corriqueira como a que a maioria de nós leitores está acostumada, claro. Primeiro porque ela costuma chamar muitos personagens apenas pelo sobrenome e isso causa certa estranheza no início, sem contar o fato que há muitos pronomes empregados então é fácil de se perder em algum ponto. Porém nada disso importa depois das primeiras páginas, você entra no ritmo e nem nota mais diferenças.

Ainda assim você não se sente completamente convencido porque o livro é no formato “de bolso”, então a derradeira pergunta que surge:
 

Mas ele é um livro “de bolso”, será que a qualidade é legal?

Caro leitor, eu devo dizer que compartilhei desta preocupação em muitos momentos da minha vida, porém a Martin Claret fez um trabalho caprichoso nesta edição, ele possui “orelhas” [eu chamo de abas para marcar leitura, mas deve dar no mesmo] e as “Palavras do Editor” no começo do livro são de grande valor. Eu acho a capa fofa e senti orgulho pelo fato de que a editora não fez o favor de matar a todos do coração mudando a tradução do título original para variações bobas e toscas.

Termino esta resenha dizendo que quero já um Box da Jane Austen com todos os seus livros, sua biografia, extras, desenhos dos personagens, tudo, porque ela provou realmente porque está ‘viva’ até hoje.

E aí, convenci você a conhecer (ou se aprofundar) na obra da Jane Austen?

5 comentários:

  1. Pára tudo!!!Ufa...que resenha é essa!Linda,perfeita,excelente.Muito bem escrita e fundamentada em cada detalhe do livro.Costumo dizer,que não é qualquer um que consegue ler Jane Austen,muito menos que consiga abordar sua narrativa de maneira tão magistral!
    Me curvo a sua excelência!!!Parabéns!!
    Bjs!
    Zilda Mara
    Cachola Literária

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  2. Ah, tu sabe que a Jane Austen é a minha diva mor da literatura né?
    Então, Razão e sensibilidade, foi o segundo romance que li (e reli, reli denovo e denovo), sem dúvida a Jane consegue captar e transmitir muito bem a intenção e sentimentos dos personagens, que eu acho que é o que nos leva a apaixonar-se perdidamente por eles.Marianne é uma personagem cativante, e de todas as heroínas que li da Austen até agora, ela só perde para a Elizabeth de OeP.
    A minha edição também é da martin claret, mas a capa é diferente, é um livro que carrego para tudo que é canto, para sempre que bater a saudade, reler meu quote preferido.
    Amei sua resenha, muito esclarecedora, e consegue transmitir a paixão de Austen neste romance.
    BJos

    Jack
    www.mybooklit.blogspot.com

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  3. Zilda, morri do coração com o teu comentário! MUITO obrigada *_____* sem palavras para agradecer, beijão!

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    Nossa Jacque, eu li faz dias e até agora ainda estou pensando na história, Marianne é uma fofa, mas adorei a Elinor, sempre gosto das personagens que acabam mal interpretadas por serem mais comedidas, me identifico um poquinho com ela. Com certeza vou fundar um fã clube para as publicações da MC, porque tem muita qualidade. Quero ler mais livros da Jane, é muito muito bom. Um beijo flor, e obrigada pelo carinho :*

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  4. Eu li e escrevi resenha, também...

    Amei a sua resenha!!!A maneira que vc abordou o tema simplesmente DIVA!!! Bjs

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  5. Hey Marli, seja Bem-Vinda! MEGA obrigada por comentar e por gostar claro, fiquei super feliz! Beijões :*

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