28 de julho de 2011

RESENHA | A Garota dos Pés de Vidro – Ali Shaw


 
287 páginas, LeYa

Cenários cinematográficos, paisagens paradisíacas, pântanos congelados com animais transformados em vidro, florestas
brancas, penhascos monocromáticos, um oceano de baleias, lendas e águas-vivas. Este é o universo fantástico de Ali Shaw, autor britânico que renova as fábulas e cria uma inusitada história de amor. Midas é um tímido fotógrafo ilhéu. Ida é uma jovem aventureira que vem ao arquipélago de Saint Hauda's Land buscar a cura para sua misteriosa doença. Ela está se transformando em vidro e juntos buscam uma solução. O que eles mais precisam é de tempo - e o tempo está passando rápido. Será que vão encontrar uma maneira de evitar a propagação do vidro?
 
Uma história que com certeza será capaz de transformar os seus conceitos. Onde o tempo simplesmente corre. Veloz e incansável. E caro leitor, não se engane. É em meio às paisagens estranhas e misteriosas de Saint Hauda’s Land que você irá descobrir que nem sempre, o que parece é. E que existem momentos, mesmo contra a sua vontade, aonde o fim realmente chega.

O arquipélago de Saint Hauda’s Land é o palco de uma talvez possível história de amor entre Midas Croock, um excêntrico fotógrafo que passa os dias entre nuggets de peixe e sopa de lata e a viajada Ida Maclaird, que retorna ao conjunto de ilhas em busca de algo que cure sua misteriosa doença.

E nessa corrida contra o tempo, aliás, contra o vidro, Ida percebe que Midas tem muitas amarras a soltar antes de poder se entregar a ela.

As paisagens estranhas e fantásticas do arquipélago misturam-se as cores cinzentas que vivem no coração dos pacatos habitantes da localidade. As vidas dos personagens se entrelaçam de uma forma sutil e interessante, os capítulos são divididos de forma a contar um pouco da vida de cada um, os dilemas, as dúvidas e os arrependimentos por várias atitudes que deixaram de ser tomadas no passado.

A narrativa flui bem e a única coisa que demanda uma concentração maior é a parte da descrição das paisagens.

Ainda que o livro tenha uma premissa interessante, e seja parecido com a vida real, já que mesmo que os fatos se passem no presente os personagens vivem as voltas com seus erros do passado, eu sinto que o livro não funcionou para mim.

Talvez não tenha captado o espírito do livro, porque no final eu simplesmente pensei: Certo, é pegadinha, esse não é o último capítulo. Mas, infelizmente era. E eu senti que cheguei ao ponto onde tudo estava no início.

É claro que existe o fato de que a vida é mesmo assim, nem tudo acaba da forma que a gente espera, ou imagina. Mas eu vi em alguns personagens um tipo de acomodação que me incomodou e muito. E ver que tudo seguiu da mesma forma, me deixou com um sentimento de decepção.

E claro que no caso de Midas e Ida eu não esperava que as coisas acabassem da forma que acabaram.

Digam o que quiserem, passe o tempo que passar eu sempre vou crer fielmente de que o amor sempre vence, de que ele une e faz com que as dificuldades sejam superadas. Talvez Midas e Ida não tenham tido o tempo suficiente para crescerem juntos, mas ele, no final das contas, cresceu muito a ponto de enfrentar sozinho medos há muito tempo arraigados em sua alma.


interior do livro

Não gostaria de desencorajar ninguém a ler A Garota dos Pés de Vidro, afinal visualmente e graficamente o livro é quase perfeito, a capa é impecável, e as folhas nas bordas são de um cinza que lembra algo que ficou muito tempo no fundo do mar. Mas eu não posso mentir que a história, a mim, deixou a desejar.

Quem aí já leu o livro? Me conta nos comentários o que foi que te agradou na história. Se você ainda não leu, comenta também e diz se tu curtiu a resenha ou nem :D



4 comentários:

  1. Gostei bastante da resenha!
    O livro parece ser bem interessante e as vezes acontece isso mesmo, de a gente achar que não captou muito bem.
    Tenta ler de novo daqui um tempo! Pra mim isso funciona! Vivendo momentos diferentes, com experiências diferentes, a interpretação de algo pode mudar!
    Beijos!

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  2. Valeu Aione! Eu vou seguir sua dica sim, bem pensado.

    Beijinho.

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  3. Ai essa capa é tãaao linda, mas pela resenha já senti que não vou gostar. Uma pena ;/
    Também sou dessas que acha que amor que é amor sempre dá um jeito.

    Beijitos
    http://www.bookpetit.com

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  4. Eu já li esse livro e amei. Acho que, o que o livro transmite é que: nem o amor vence todas as barreiras, mas ele pode fazer com que você as enfrente da melhor maneira possível, e também mostra que realmente a esperança é a ultima que morre. Eu gostei porque ele sai um pouco da expectativa, não é?! Você torce para que Ida consiga encontrar uma saída, mas o problema é que não existe saída para o que aconteceu com ela. É como se Ali Shaw tivesse criado um personagem com câncer, um câncer sem cura, e ele faz com que esse personagem com câncer aproveite até o ultimo momento, que ele ame até o ultimo momento e que ele mude a vida de outros para melhor até o ultimo momento. Eu gostei muito e acho que consegui entender o propósito desse livro, achei muito bonitinha a história, beeijos :*

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